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  3. O cartão corporativo: 25 anos de evolução
Erik Salgado Torres Erik Salgado Torres
23 FEB 2026 4 MIN DE LEITURA

O cartão corporativo: 25 anos de evolução

Uma análise de 25 anos sobre como o cartão corporativo deixou de ser apenas meio de pagamento e se tornou uma plataforma estratégica para pagamentos B2B e gestão financeira.

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      Há mais de 20 anos tive meu primeiro contato com o universo dos produtos corporativos, que se tornaram parte do meu dia a dia e a área mais relevante da minha trajetória profissional.

      O cartão corporativo (de crédito ou pré-pago) não mudou radicalmente em sua proposta de valor principal — financiamento, controle e segurança —, mas o ecossistema de pagamentos em que opera hoje é praticamente irreconhecível.

      No início dos anos 2000, mais de 60% dos gastos realizados nos cartões corporativos vinham de T&E (viagens e entretenimento). O produto era físico, com tarja magnética, e as ferramentas de controle que hoje consideramos básicas — relatórios, limites e gestão de hierarquias — eram diferenciais competitivos.

      Os pagamentos a fornecedores (B2B), tanto do ponto de vista da estratégia de aquisição como de emissão, baseavam-se em grande parte em despesas recorrentes e de elevada transação, com taxas de desconto moderadas e modelos de débito automático, o que permitia alta aceitação e fácil adoção pelas empresas. Da mesma forma, o “cartão de compras” era, em muitos casos, um pedaço de plástico guardado numa gaveta ou um produto virtual com controlos limitados.

      Então veio 2008.

      A crise financeira global, originada no colapso do mercado imobiliário nos Estados Unidos, provocou uma contração abrupta do crédito e uma queda significativa dos gastos corporativos em nível mundial.

      Para o segmento de cartões corporativos, o impacto foi imediato: o T&E caiu drasticamente, os orçamentos foram congelados e os emissores enfrentaram um ambiente de maior risco e menor liquidez.

      Não foi apenas uma queda temporária de receitas; foi um ponto de virada no modelo de negócio.

      Na busca por sustentabilidade e com uma visão muito mais de longo prazo, os bancos voltaram sua atenção para o gasto tático das empresas, uma área que representava um grande desafio, mas também uma grande oportunidade para se diferenciar da concorrência.

      Eles reestruturaram suas equipes comerciais por verticais, profissionalizaram suas campanhas e começaram a “falar” a mesma língua de seus clientes para entender não apenas seus processos, mas todo seu ecossistema – aumentando assim a escalabilidade em seus portfólios.

      Alinharam suas estratégias B2B para desenhar produtos para pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo em que continuavam fortalecendo suas soluções para grandes corporações multinacionais. Seus modelos de risco e fraude evoluíram a ponto de suportar milhões de dólares em linhas de crédito, e as conversas comerciais sobre rentabilidade e capital de giro passaram a dominar as reuniões de negócios.

      No entanto, a verdadeira transformação ainda estava por vir.

      Em 2025, estima-se que mais de 60%[1] dos pagamentos B2B globais ainda sejam processados por métodos tradicionais (como cheques ou dinheiro em espécie), o que demonstra que a adoção de pagamentos digitais corporativos ainda não está plenamente consolidada. Essa lacuna representa uma oportunidade significativa para emissores, adquirentes e plataformas que apostam em automação, integração e digitalização.

      O segmento corporativo já não compete apenas entre bancos tradicionais. Ele compete com fintechs B2B que oferecem onboarding em minutos, com plataformas SaaS que integram pagamentos embutidos e com soluções API-first que se conectam diretamente aos ERPs.

      A verdadeira vantagem competitiva estará na capacidade de integrar ecossistemas, transformar dados em inteligência e acompanhar estrategicamente todo o fluxo de gastos empresariais.

      O CFO moderno já não busca apenas financiamento. Ele busca:

      • Visibilidade em tempo real
      • Automação de contas a pagar
      • Otimização de capital de giro
      • Dados acionáveis
      • Integrações simples e seguras

      Nesse contexto, o cartão corporativo deixa de ser apenas um meio de pagamento e se transforma em uma plataforma de gestão financeira.

      Depois de 25 anos acompanhando a evolução desse produto, tenho claro que o segmento corporativo não vai parar — mas também não perdoará a inércia.

      O futuro não pertence a quem emitir mais cartões, mas a quem entender melhor o negócio de seus clientes.


      [1] https://gitnux.org/digital-transformation-in-the-payment-card-industry-statistics/

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